O dinheiro muda as pessoas

Publicado em 10 novembro 2011 in Mais


Coluna "Mais". Post referente aos livros Melhores Contos,  Marcos Rey.

Não sou socialista como se torna, casualmente, o personagem Mariano do conto "O guerriliheiro", mas tenho lá umas semelhanças com o cara. Quem nunca leu o conto deve saber de uma sinopse resumida: Mariano ajuntou-se a Gianini e outros companheiros boêmios para fundar uma organização amadora de guerrilheiros (se é que se pode chamar assim). Eles eram meio que uns socialistas que não se contentam com a repartição de riquezas injusta. Gente que não se contenta com as migalhas do governo, mas que querem a metade do bolo.
Enfim. O fato é que aquela organização amadora causou a Mariano uma profunda mudança. Ele sentia-se investido de uma nova responsabilidade e via tudo com outros olhos. "... O homem simples do povo despertava-lhe ternura imensa. Todos: o cobrador de bonde, o leiteiro, o engraxate, a mulher que vende flores, o barbeiro (...). Certamente, o reverso da moeda era o ódio que nascia no estômago e tinha os sintomas de uma doença. Qualquer milionário que passasse nos seus carros luxuosos fazia seus nervos vibrarem. Costumava dar pontapés nos pneus dos Mercedes-Benz e Cadillacs."
É aí que está meu pequeno aspecto socialista  e onde reside minha semelhança com o personagem. Eu aturo o homem simples do povo, se é que me entende. Gente simples e despreocupada do subúrbio. Foi o que notei na última segunda, acho, em um passeio por ruas simples de um dia nublado (dias nublados sempre me deixam assim reflexivo).
Roupas simples, poder aquisitivo, áreas suburbanas e afins são apectos de caráter exterior. Não ligo pra isso. Aliás, prefiro a simples e confortável zona suburbana do que o centro da cidade, cheio de edifícios, condomínios, avenidas e trânsito intenso. Em frente ao Cefet (unid. centro) onde estudo, há um Shopping Center bem de frente. Na foto não dá para perceber, mas pessoalmente, eu já vi os luminosos com traços cinzas de carbono, fuligem e essas coisas - resultado do tráfego intenso pelo local (que também causa o calor abafado no ponto de ônibus do outro lado da avenida). É o que se pode chamar de ilha de calor.
Continuando: no meu caso, se for ver o outro lado da moeda, também há semelhanças com o Mariano. Na última terça, se não me engano, estava eu lá em Tirol, bairro chique, quando vi uma mulher saindo de um salão, chique também. Não sei se você consegue imaginar a situação, mas foi engraçado aquela leve "acelerada no passo com pulinhos" que ela fez ao atravessar a rua deserta. Na hora eu não saquei, mas quando vi que ela se dirigia à um desses carrões Suv/Trucks (parecia uma Hilux) deduzi logo: queria chamar atenção.
Essa mania de querer chamar atenção das pessoas para seus dotes que lhe confere vantagem já é inerente ao ser humano. Sei porque também já aconteceu comigo (também já apertei levemente o passo com pulinhos para chamar atenção). Para a dona lá da Hilux, eu acho que nem era a intenção. Essas pequenas atitudes já estão gravadas no nosso subconsciente e a gente faz sem nem notar. Cite-se parte das estudantes do Cefet: passeiam no Shopping após as aulas, em bando, sem comprar nada, mas com ar de superioridade só por causa de uma franja feita com o secador de cabelos. Ninguém merece véi.
É por causa disso que estou mais à vontade longe do centro. Longe das áreas urbanas e sua ostentação que tanto nos influencia. Prefiro zonas suburbanas, sem edifícios, só residências (como mostrado numa das provas do Enem desse ano). Ruas modestas e tranquilas com sua gente simples e despreocupada desligada de detalhes infames da sociedade e suas diferenças.
 Afinal, dinheiro, poder aquisitivo, bens de consumo... o que importa?

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